Moda, livros e rock 'n roll

Música e moda. agosto 11, 2011

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 2:07 am

Como já disse aqui antes, eu comecei a pensar em moda muito por causa da minha relação tão estreita com a música.

Olhava aquela vocalista daquela banda que eu curtia e tentava imitar o jeito que ela se vestia. Com o tempo, acabei aprendendo que não adiantava muito imitar, porque senão ia virar um aglomeradão de um monte de gente que eu curtia olhar e ouvir.

Nesse começo, gostava muito do jeito que a vocalista da Killi se vestia, que era algo bem simples. Camisetinha, saia abaixo do joelho e all star.

Depois vieram outras tantas e a minha concepção de moda também mudou: passei da roupa para imagem. Entendo moda como uma composição entre pele, acessórios, roupa, cabelo, maquiagem. E, assim, você pode supor que tatuagem, delineador, batom vermelho, colar, brinco, postura, enfim, tudo isso, na minha cabecinha, é moda.

Imagem, pensando uma música mais comercial, é um ponto muito focal na construção de um grande artista. Acho a finada Amy Winehouse um exemplo lindo disso. Lembram de como ela era quando lançou o “Frank”? Muito provavelmente, não. E se lembram, certamente, devem pensar: porra, cara, o “Back to Black” foi bem mais do que um punch musical, ele reconstruiu a imagem da Amy, que se a gente parar para pensar estava focada em três elementos principais: o cabelo, o delineador e as tatuagens. Amy era assim:

Tava lá, de calça jeans e camiseta e, ainda tão simples, super estilosa e digo sem titubear: muito, mas muito mais pela sua imagem forte do que pelas roupas em si.

A grande maioria das minhas referências de estilo são musicais: Pitty, Kate Nash, Hayley Williams, KT Tunstall são algumas delas. Entendo hoje que a gente usa as referências muito mais para fazer aquela bricolagem que nos ajuda a compor a nossa imagem de moda para o mundo.

Eu sinto, de verdade, que quando a gente entende moda para além da roupa, moda como construção corporal, isso nos ajuda a entender que inspiração não é cópia e que, assim, podemos buscar muito mais elementos nos mais diversos lugares, sem se prender a denominações de estilo.

Acho que a gente pode ampliar de verdade para muito além do que as revistas dizem, afinal, na vida, a gente é muito mais do que ladylike, rocker, clássica, etc, etc, etc.

 

Os anos oitenta foram realmente brega? agosto 2, 2011

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 3:47 pm
Tags: , ,

Sempre fui apaixonada pela moda dos anos 80, fosse pela “explosão” de cores, pelas proporções diferentes, pelo exagero em acessórios e misturas, pela maneira com que roupa parecia muito mais diversão naqueles tempos.

Acontece que, toda vez que a gente vai a festas bregas, a gente dá de cara com um monte de gente caricaturada de 80’s teenagers. E isso sempre me doeu, porque eu não acho os anos oitenta brega, mas corajoso e divertido de um jeito que a gente não se permite ser.

Vejam bem: Não estou dizendo para que a gente saia de blazer com ombreiras gigantes, polainas rosa-shocking (usando uma nomenclatura bem adequada para a época de que falo) e legging laranja. Não é isso. Mas, sim, que a gente se permita ousar (nas suas devidas proporções, pelo amor de Deus), cotidianamente, como se ousava nos anos 80.

Escolhi um dos filmes oitentistas que mais gosto para falar do quando podemos trazer essa época para a nossa vida. E, na verdade, vocês vão ver que a gente já tá cheio de oitentismo nas araras de várias lojas por aí, é só tirar do cabide e colocar no corpo.

Bom, o filme que escolhi foi “A garota de rosa-shocking” e escolhi a Andie, a personagem principal, porque ela usa coisas que a gente usa.

Agora, pega a minha mão e vamos à nossa viagem ao passado.

Olha só, a Andie usando óculos Wayfarer, blazerzinho mais masculino e brinquinhos delicados. Veja bem: ela foi boyish há 25 anos, minha gente. Adoro essa coisa de brincar com uma androginia mais velada que tem (res)surgido nos últimos tempos, de se jogar no masculino e colocar alguma coisinha delicada ou mesmo o contrário, ser super feminina e colocar um ponto masculino para brincar.

Tá aí: 1986 é super atual. 🙂

Esqueçamos que tá tudo na mesma montação. Vamos falar dos elementos separados:

Na parte de cima, a Andie tá usando sobreposição de várias peças. Aquela idéia de se vestir em camadas, para deixar a roupa mais rica e interessante.

Ela também usa vários colares ao mesmo tempo, o que é super, super atual.

Saia midi é uma graça, coisa fina e… hmmm… uma galera tá usando por aí.

Meia-calça estampada, que é lindo, ousado e super fácil de encontrar. É só passar nas Marisas, Riachuelos, C&A, Renner, que a gente encontra um monte, bem bem bonitinhas.

E botinha branca dobrada. Meus olhos lacrimejam sangue de tanta lindeza que é isso.

Cardigan bordado, camisa de renda, legging florida. Andie, você poderia até ser uma blogueira, se existisse isso nos anos 80. Aposto que ia ser considerada it-girl, sua linda.

E eu tenho mais uma porção de fotos aqui, que tem colete de renda, golinha de boneca, mais cardigan estampado, saia midi e florida e muito mais. E eu poderia passar o dia falando disso, tentando mostrar para vocês que 1986 tá aí nas araras das fast-fashion dos nossos anos 2011. E é só se jogar para se vestir com mais brincadeira, com  mais diversão e não tanta obrigação de fazer carão e estar impecável.

E uma menção honrosa, já que estamos falando de “Pretty in Pink”, o amiguinho da Andie, do qual esqueci o nome, merece ser lembrado:

É bem isso: moda é brinquedo, é expressão de nossas diferenças e tem sido tão cansativo ver tanta gente se vestindo do mesmo jeito. O que estou tentando dizer é: sejamos um pouquinho mais oitentistas, no sentido de não ter medo de errar, de não ter medo de arriscar.

Errar, em moda, é relativo demais. E brega mesmo é a gente ficar escravo de um monte de regras, que nos imobilizam criativamente.