Moda, livros e rock 'n roll

Padronização, blogs de moda e “cadê eu nisso tudo?” outubro 26, 2011

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 4:10 pm

Quando entrei na faculdade, entrei numa crise de identidade. E isso, é claro, acabou refletindo em como eu me vestia.

Eu gosto de moda desde muito cedo e, digamos assim, tenho um lado perua que brotou em mim desde… não lembro quando. Sei que eu enfiava o meu pé tamanho 20 e alguma coisa nos scapins número 36 da minha mãe e saía andando pela casa a quebrar os saltos dos sapatos da Dona Claudete. (Devo dizer que me arrependo enormemente pelo scarpin azul royal que eu tanto desejei e descobri que quebrei)

Aí eu chego em Assis, mais especificamente na Unesp-Assis, e a minha peruagem entra em crise, porque parecia que ela não tinha lugar aqui. E sem rímel, sem blush, sem batom vermelho, nem delineador, foi assim que passei o meu primeiro ano aqui. Até que surgiram em mim alguns questionamentos existenciais do tipo: “Ai, caramba, onde eu tô me colocando?”, “Eu tô sumindo”. Foi um momento de luz no fim do túnel, mas ao mesmo tempo que me fez entrar em parafusos. Algumas paroxetinas depois, surgiu o momento em que comecei a garimpar os blogs de moda por aí e foi quando lembrei do quanto gostava de moda e do quanto eu tinha gosto em comprar roupas, montar coordenações e em separar um dia antes as roupas que eu possivelmente usaria no dia seguinte.

Mas, afinal, para que estou falando tudo isso?

Para chegar no assunto blogs de moda/blogs de maquiagem. Eu devo dizer antes de tudo: Sou uma leitora assídua de muitos, mas muitos blogs dessas categorias e, na verdade, gosto muito desses que acompanho, mas tem algo em alguns desses blogs que me incomoda e me inquieta.

A questão é: Sinto que alguns blogs falam de moda de um jeito que me lembra muito o que eu sentia em relação a Unesp no começo.

Aí você vem e me pergunta: “Mas, como assim, Mariana?”

Vejo regras (“faça isso”, “não use aquilo”), vejo tendências serem criadas e se tornarem must haves de um jeito que muitas blogueiras começam a se vestir iguaizinhas e aí quando saio na rua, vejo várias pessoas se vestindo do mesmo jeito, vejo nascer um padrão de fotos muito comum às blogueiras, vejo “looks do dia” que foram criados especialmente para as fotos, enfim, vejo surgir um movimento de moda como padronização de pessoas.

Sei que você vai me dizer: “Ah, vá! Mas isso acontecia muito antes, com as revistas de moda, por exemplo”. E eu sei que isso acontecia, mas a revista é uma ferramenta que é bem menos pessoal que o blog, entendem?

Vejo a idéia do surgimento de blogs de moda como algo muito positivo que vinha trazer a moda de cada pessoa que “bloga”. Uma coisa muito pessoal mesmo, de gosto, de singularidade, de “abri meu guarda-roupa e criei”. Sinto que muitos blogs mantém isso, mas sinto uma enxurrada daqueles que fazem do blog uma revista diária, de um jeito que se enquadra o vestir bem em algum padrão do momento: sejam esses padrões da vez as calças vermelhas, as saias bandage, as espadrilhas, as sandálias abotinadas, etc, etc, etc.

E aí eu fico me perguntando: Afinal, o que essas gurias que lêem blogs e se rendem aos padrões estão curtindo de verdade? O que elas tem achado bonito? De que jeito elas gostariam de se vestir para além do que está na revista ou no blog predileto?

Tive uma época de consumismo exacerbado, muito por causa da loucura de que tinha que ter isso ou aquilo e, de repente, me vi na obrigação de fazer uma limpa no guarda-roupa: Saiu mais de um daqueles sacos pretos de lixo. Muitas roupas eram praticamente novas. Durante a limpeza eu ficava olhando e pensando o que eu gostava, o que era para sempre e o que tinha entrado ali para ser como uma tendência: descartável. Muita coisa entrou nessa última categoria. E foi aí que comecei a olhar o “comprar roupas” com outros olhos: o do investimento.

Não compro mais nem um terço das roupas que comprei no ano passado, por exemplo, e tento comprar só aquilo que acho muito belo e que sei que vai funcionar com o que já tenho.

O que quero dizer com tudo isso é que você não precisa ter aquele sapato de glitter, nem aquele colar, nem aquele batom da MAC, nem nada disso para gostar de moda ou se vestir bem. Você pode se vestir bem com aquela roupa da C&A, você pode fazer uma maquiagem linda com produtos que custam menos de 50 reais e o principal: você pode caçar, experimentar, mudar, renovar e tentar achar um lugar para o que passa dentro de você nas suas roupas. Você não precisa se esmagar para gostar de moda. E eu acho isso a parte mais divertida disso tudo.

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