Moda, livros e rock 'n roll

Outras formas de consumir. dezembro 2, 2011

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 6:05 am

Muitos dos autores que falam de consumo colocam a moda como um exemplo de como criar necessidades de compras para conseguir se encaixar num mundo. Sabemos que tendências hoje mudam de forma muito mais rápida do que de estação para estação e aí surgem as meia-estações, as lojas fast fashion e outras tantas estratégias para que as pessoas continuem consumindo os novos must haves.

Não nego: Vira e mexe me vejo querendo alguma coisa que é vendida em blogs, em revistas e em outros meios, mas que nada tem a ver comigo. Porém, esse ano parei para pensar esse consumo exacerbado que existe para conseguirmos viver num mundo de muita informação, muita mudança, muita exigência de velocidade e aí comecei a entender que existem alternativas para se consumir, sem que precisemos sustentar uma determinada forma de consumo que existe e que é vendida como padrão.

Um aspecto que me fez parar para refletir sobre o tanto que eu vinha consumindo foi cair num estágio sobre economia solidária e começar a organizar Feira de Trocas. A idéia é a de pensar o valor de uso das coisas. Se eu não uso, alguém vai usar e, assim, eu posso conseguir trocar por alguma coisa que eu realmente queira. Sendo assim, o valor monetário das coisas acaba sendo deixado um pouco de lado, afinal, de que adianta eu ter aquele sapato de sei-lá-quantos-reais se eu nunca coloco ele no meu pé, sabe?

 

O legal das Feiras de Trocas é que a gente pode começar a torná-las hábitos. Trocar roupas com amigas, com familiares… E o mais legal é que não é deixar de consumir, mas consumir de uma outra forma.

Quando comecei a separar coisas para a primeira feira de trocas que organizei, percebi o quanto de roupa teria deixado de comprar se eu tivesse realmente pensado sobre como é o meu guarda-roupa. É aquela coisa já famosa (mas que a gente sempre esquece naquele calor do momento): Meu estilo segue certas estruturas e não adianta comprar coisas que acho lindas se elas não ficarem realmente lindas em mim.

E aí vem aquela coisa do investir em roupas. Eu, por exemplo, sou completamente apaixonada por qualquer coisa que tenha referência nos anos 80 e sei que, se eu for comprar algo com esse tipo de referência, vai ser algo eterno no meu acervo e, por isso, vale a pena comprar uma roupa dessas bem mais do que valeria comprar outras coisas que acho lindas, mas nos outros, como uma calça cargo, com referências militares, por exemplo.

Mas e aquelas roupas pelas quais eu tenho apego emocional, mas que acabo por não usar?

Já pensou em reformar? Tem costureiras com preços bem bacanas e que podem fazer coisas lindas e que podem ter a cara do seu guarda-roupa :).

Quero deixar claro que não defendo o parar bruscamente de consumir para ser contra o “super monstro das compras”, sabe? Eu defendo outras formas de consumir, que te traga o prazer das novidades, mas que movimente no mundo outras formas desse consumo.

Espero que vocês tenham, ao menos, tido vontade de tentar essas outras formas que coloquei aqui e que consigam criar muito mais formas de ter aquela roupa que você adoraria ter. 😉