Moda, livros e rock 'n roll

Desses incômodos internéticos: Os famigerados vídeos de “comprinhas”. setembro 25, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 2:14 pm

Esse post nasce num momento bastante incômodo, o que de certa forma pode até contribuir para que ele seja um bom texto. Espero que assim seja…

Acabo de assistir um vídeo de comprinhas de uma blogger de tamanho médio. E me senti estranha quando percebi que, em um mês, ela havia gasto mais do que três mil reais(!) somente em roupas. Isso sem contar os gastos que ela certamente teve com maquiagens, cosméticos, viagens e outras coisas.

E foi então que me peguei pensando: Quando é que essas garotas vão perceber que elas SÃO formadoras de opinião? Que quando elas fazem um vídeo mostrando que gastam muitos dinheiros em um mês de compras começam a trabalhar com a idéia de que isso é algo absolutamente normal? E que, simplesmente vão ter garotas que não podem gastar tanto e que começam a se sentir inferiores, pobrinhas, porque se não podem gastar tanto, não podem gostar de moda, porque nunca vão ter um guarda-roupa lotado e seguimos na seqüência de pensamentos que um vídeo desse pode gerar…

Acho engraçado quando vejo vídeos desse tipo, porque as garotas estão sempre querendo justificar cada uma das compras. “Mas, olhem, eu comprei essa saia-lilás-com-paetês porque estava há muito tempo procurando uma saia-lilás-com-paetês e achei que valia a pena pelo módico precinho de 240 reais”… “É que eu precisava muito de um sneaker da Arezzo, porque é essencial no guarda-roupa de toda mulher hoje em dia”…

Se paramos para olhar blogs de moda (que, no contexto brasileiro, são muito mais blogs de consumo) começamos a perceber que esse é quase que um comportamento padrão das blogueiras: mostrar que consomem horrores. São raríssimos os blogs que pensam um consumir moda de forma mais consciente.

Acredito em moda-investimento, em um guarda-roupa enxuto com diversas possibilidades. Porque de que adianta ter aquela roupa linda que você só pode fazer uma única combinação? Ela vai ficar lá, paradinha, sem uso. Vai ter servido para mostrar no vídeo de comprinhas e só.

Espero que as pessoas um dia parem de achar que gostar de moda é necessariamente sair consumindo roupas como se não houvesse amanhã. Isso é gostar de comprar. Moda (pelo menos para mim) é outra coisa.

Esse vídeo fala bastante de outras formas de consumir moda, para além da tendência e dos gastos desenfreados. Vale muito a pena assistir:

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Você veste o quê? julho 13, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 4:44 am

São tantas as coisas que me motivam a escrever este texto que mal sei por onde começar. Talvez eu não devesse ficar tanto tempo sem escrever sobre moda. Dessa forma, um texto não ficaria tão confuso e cheio de coisas a serem ditas em um espaço tão pequeno.

Isso que começo a escrever começou a tomar verdadeiro corpo depois de ouvir, enquanto caminhava pela 25 de março e comprava bijuterias, uma moça dizer que depois que andava pela 25, não tinha mais vontade de usar nada, porque tudo era “de pobre”.

Foto minha.

Isso me incomodou, é claro, pela “pobrefobia”, mas me fez pensar sobre o que as pessoas vestem e porque vestem o que vestem.

Sei da ideia do fetiche que uma marca exerce, ela já foi muito bem exposta por diversos autores. Então, assim como a moça que me fez pensar nisso tudo não quer usar um anel de bigode com risco de ser confundido com uma bijuteria da 25 de março, muitas outras meninas usam a sandália de plástico da Prada, mas não usam a Melissa. Acho curioso como isso transita nas diversas classes econômicas, como quando esses tempos, vi muitas meninas dizendo que deixariam de usar certos modelos de Melissa porque a Grendene teria lançado esse mesmo modelo na Zaxy, uma marca mais barata e isso faria a Melissa perder todo o seu glamour por causa da acessibilidade.

Imagem: weheartit.com

É como se fôssemos mais legais por usar a roupa da marca em alta. As Abercrombies da vida conseguem expressar isso muito bem. As roupas não são belas, mas dizem exatamente o exército de que se faz parte.

Podemos estender a ideia das marcas para as “tendencinhas”: para estar in, tenho que estar com a saia mullet, sneakers de salto, colar de golinha, batom vinho ou qualquer outra dessas coisas que a gente já está até com fadiga de ver por aí.

Imagem: weheartit.com

E, com tudo isso, percebo um vestir bastante identitário. As fashionistas, as riquinhas, os playboys, os badabauês, etc, etc, etc, se agarram às suas fardas e saem por aí tranquilos, porque a aceitação está garantida quando não há permissão ao erro.

O que me incomoda nisso é que acredito numa moda sentida, experimentada, vivida, criada, gostada e singular. E o manual, nessas horas, como já disse aqui, serve muito mais para ser fugido do que para ser seguido. Afinal, as Melissas, os tênis de salto, as saias mullets, a Abercrombie vão passar. E você, vai passar com eles?

Imagem: weheartit.com

 

Sobre a “futilidade da moda” e a academia. maio 15, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 12:54 am
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Comecei a gostar de moda ainda quando era muito novinha, foi todo um longo processo: ver muito desfile, experimentar muitas roupas e sair na rua como se fosse uma louca, ler muitas revistas. Eu, no terceiro “colegial”, estava certa de que iria prestar vestibular em alguma faculdade de moda.

Aí, olhando preços, acabei percebendo que não teria condição nenhuma de bancar a mensalidade de uma boa faculdade de moda e as públicas tinham provas que exigiam desenho e meu negócio, até então, tinha sido muito mais a produção do que a criação.

Acabei, meio que sem entender por quais motivos, decidindo prestar vestibular para outra coisa. Aí, na faculdade de psicologia, comecei a estudar alguns enlaces entre sociologia, psicologia, filosofia e moda.

Porém, tinha algo que sempre me pegava de uma forma absurda: não eram raras as pessoas que insistiam em me dizer que moda era algo fútil. Certa vez, em uma aula disse que estudava moda e a professora respondeu “Que bom! Um dia vou te ler na revista Capricho”. Outra vez, conversando com uma outra professora, comecei a falar do meu interesse em estudar moda e ela disse “Mas esse é um assunto muito fútil, não?”.

E foi aí que comecei a notar a resistência que as pessoas tinham em entender a moda como algo complexo, que envolvia discursos, a questão de gênero, a busca por ideais de beleza e de felicidade e outros diversos aspectos. Muitas pessoas que estão na academia acreditam que a moda não pode ser pensada nesse ambiente, aliás, que ela não pode nem ser pensada, já que é fútil, é de manual, é de disciplina e controle de corpos, deve continuar presa a algumas revistas que também são colocadas em lugar de futilidade.

E aí que, durante um bom tempo no meu curso, desencanei de estudar moda, fui procurar outras coisas que, é claro, compuseram muito bem para que eu começasse a complexificar a minha visão do que é moda, para que é moda, enfim… E quando voltei a estudá-la, estava lá, de novo, super encantada e percebendo que não tinha jeito, era isso que eu gostava, era isso que me movia, mais do que qualquer outra coisa. E foi então que na última semana comecei a procurar pós-graduações em moda e percebi que é bem mais grave do que eu gostaria que fosse. Temos umas três opções de mestrado em moda e algumas outras opções em especialização. E é aí que me pego pensando sobre como os ideais cientificistas e intelectualistas da academia só tem feito uma porção de coisas ficarem estagnadas. E é aí que me pergunto: até quando?

 

Fugindo do Óbvio. janeiro 27, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 3:54 am
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Comprei aquele livro bem bonitinho que chama “A Parisiense”. Ele é um guia de estilo, cheio de regrinhas, mas Ines, a autora, diz uma coisa várias vezes que acho que é a regra mais importante de um guia de estilo: a idéia que essas regras existem, mas que podem e devem ser quebradas.

Uma das partes mais legais desse livro é uma em que a autora cita 10 idéias para fugir do óbvio. Pensei, inicialmente, em fazer um post com fotos de inspiração dentro do que está no livro, mas olhando bem as dicas que estão no livro e pensando naquilo que faço cotidianamente para adicionar alguma diferença nos looks, a idéia fica basicamente em misturar roupas e materiais que são quase que impensáveis conjuntamente.

Isso porque, se a gente pára para pensar, acaba percebendo que sair do óbvio nada mais é do que ousar. E não adianta muito pensar que para ousar você precisa necessariamente fazer isso, isso ou aquilo, porque não dá para se arriscar com manuais para não errar. Acho que uma coisa é dar idéias de como sair do todo-dia-ela-faz-tudo-sempre-igual, mas ao se prender a essas possibilidades como se fossem manuais você não vai estar ousando. Entende? Só vai estar trabalhando com outro referencial do óbvio.

O que eu digo para você se quiser experimentar é escolher aquelas roupas que você tem e que nunca imaginou juntas, aquelas peças que são diferentes em conceito: o chique e o despojado, o tule e a camiseta, o jeans e a sandália arrumada, aquela sombra que você acha que só rola de usar à noite, a camiseta de banda e a saia longa de hippie. E aí você começa a pensar maneiras de usar isso de outras formas: é trabalhar com o não-costume.

Mas não pense que você vai começar sabendo tudo e sendo um arraso, por favor: esse seria um primeiro caminho para se decepcionar e achar que não tem talento para se vestir. Vovó já dizia que é errando que se aprende e, nesse caso, isso faz todo o sentido.

 

 

Obsessão por Retrô. janeiro 21, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 5:41 am
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Bom, eu acho que a essa altura da vida você sabe o que é retrô, certo?

E se você não sabe, meu bem, o nome já diz: é aquilo que é referente a algo do passado. Então, quando falam para você de década de 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 90: Tudo isso é retrô. Então, não me venha pensar que só coisa cinqüentinha, sessentinha é retrô, certo?

Eu, particularmente, tenho afeição muito grande por algumas dessas décadas em especial, os anos 80, vocês já devem saber,porque falei deles aqui, mas além deles amo os anos 50, os anos 60 e os anos 90. E aí você me pergunta:

“Mas, Mariana, sua doidona, como você faz para juntar tudo isso e não parecer que saiu do brechó?”

Calma, queridão, muita calma nessa hora:

1. Você não precisa juntar tudo;

2. Você não precisa sair caracterizado;

3. Referências \o/.

Um pecado muito comum (e entenda que isso é minha opinião) é as pessoas acharem que tem que fazer um look todo sessenta porque gostam de 60, todo 80 porque gostam de 80. Na boa, ninguém quer isso a não ser para festas características. E aí eu consigo puxar o lance da referência, porque é bem isso: você pode começar a separar o que te inspira nessas décadas e transpor isso para a sua roupa, para a sua maquiagem, para aquele topete, para aquele acessório.

Uma boa é montar um quadro de inspirações. Para te dar chão mesmo: pense em coisas que você gostaria de transpor para seu estilo, procure referências. Pense, por exemplo, em proporção, em cores, detalhes, enfim, aquilo que te puxa e que te faz ter vontade de montar um look com aquilo.

Eu, por exemplo, tenho um quadro de inspirações na minha casa em Assis, lá tem sneakers, delineadores, sombras azuis, saias com babados, camisetas estampadas, jeans, camisa xadrez, algumas cores. E quem me conhece pessoalmente sabe que isso é bem o básico daquilo que compõe meu estilo.

Vale lembrar que pensar em estilo não é fácil: o seu estilo não surge assim do nada, ninguém nasce se vestindo bem, é uma construção que leva anos, que vai te fazer escorregar algumas vezes e acertar tantas outras. O mais importante é não ter medo de errar, porque é bem isso: não tem como acertar sempre. E de vez em quando mandar um foda-se para aquelas regras que a gente cria para si e experimentar coisas diferentes pode ser bem interessante e revelador. 🙂

 

E nesses tempos de semanas de moda… janeiro 10, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 8:12 pm
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Costumo ficar muito ansiosa nessa época do ano. Acompanho semanas de moda porque enxergo nelas muito mais do que possíveis tendências: é nelas que posso experimentar um pouco da moda como arte.

Se não tenho tempo de acompanhar cada um dos desfiles, faço questão de procurar ao menos alguns daqueles que amo, que sei que vão me surpreender e me deixar um pouco mais feliz. Entre eles, estão o Alexandre Herchcovitch, a Gloria Coelho, a Neon, a Cavalera, a Triton, o Ronaldo Fraga e algumas outras. Essas eu nunca deixo faltar, porque são sempre incríveis para mim.

Do estilista :)

Já faz um tempo que parei de ouvir o que o cara x ou y acha do que foi apresentado. Antes eu achava bom quando o especialista falava. Hoje, acho bom quando o negócio consegue me pegar.

Acho triste quando as pessoas começam a olhar as semanas de moda somente como lançadoras de tendências. Por que, afinal, isso é tirar cada vez mais o caráter artístico da coisa, colocando a moda cada vez mais naquela gavetinha que as pessoas adoram dizer que a pertence: a da futilidade.

Enxergar a moda como fútil cabe aos seus olhos, somente a eles, mas eu sigo dizendo a frase que dizia quando ainda era uma criança: se moda é tão fútil assim, por que você não anda pelado? Te digo mais: até mesmo a sua postura de não pensar no que vestir, de comprar qualquer é uma posição política em relação à moda que já foi capturada pelo mercado.

Entendo, sim, que ao pegar a moda como “tendencinha”, como “regras de vestimenta”, ela pode se tornar um pouquinho pobre, mas veja bem: é sobre a maneira como você vai usar isso. Tendências, por exemplo, não são ruins, desde que você não faça um catálogo do que você deve usar no próximo inverno e saia comprando tudo loucamente. Elas podem servir como aquele gás criativo de que a gente precisa. Sabe a inspiração do artista? Então, é bem por aí.

Por isso, eu te convido a assistir os próximos desfiles, das próximas semanas de moda de um outro jeito. Pense em coisas que te inspiram: aquela música, aquele céu, aquela cor, aquele cheiro. Sabe o que passa em você nessas horas? Então, deixe que a moda te toque como arte. Deixe que, ao se vestir, durante cada dia da sua vida, você crie. Aquele momento é seu: Você é um artista. E a moda pode ser aquele pequeno gesto que faz da sua vida um pouco mais feliz.

(Um vídeo da Cris Guerra para inspirar)

 

2012. janeiro 9, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 5:01 am
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Fins e começos de ano me incomodam. E não incomodam por qualquer coisa:

Incomodam porque não consigo lidar com lutos. Incomodam pela minha terrível mania de fazer planos que me nego constantemente a cumprir. Incomodam pela outra maldita mania que tenho de fazer balanços do ano anterior, colocando grandes listas do que é bom, ou ruim, ou simplesmente importante.

Meu último ano foi caótico: Perceber, em pleno quarto ano de faculdade, que amar ler filosofia e psicologia não vai necessariamente te fazer amar a prática foi o ponto focal de alguns dilemas que me deixaram na cama. Mortes, abusos de poder e de posições, foram outros pontos que me deixaram transtornada.

No fim de 2011 me peguei pensando, mais uma vez, em trabalhar com moda e estética. Não é um desejo desses tempos. Sonho com isso desde meus idos 12 anos de idade. Sonho daqueles que vão, voltam, mas que não largam o nosso pé no fim da noite. Aí me vejo pensando em juntar a paixão adquirida por filosofia com a paixão por moda que já me é inerente.

Foi aliviador. Terminei meu ano com uns 20 quilos a menos nas costas.

Fazer planos para um ano me perturba: Não quero planejar um curto período, os meus próximos 366 dias, nesse caso. Acho isso bobo demais. Não acho que se feche um ciclo de energia aos dias 1 de janeiro de cada ano. Desde um artigo no número 1 da finada Revista da MTV, percebi que talvez meus ciclos se fechem nos meus aniversários. E isso faz muito mais sentido. A cada aniversário entro muito mais nesse momento de dever cumprido (ou não).

Se pudesse, na verdade, pararia de planejar as coisas que quero fazer enquanto tiver 23, 24, 25 ou 60 anos. Pensaria o que quero fazer nesse momento em que estou viva. E é assim que te recebo, 2012, pensando que Mariana quero ser de agora em diante. Não me importa que ano é, que idade tenho: o que quero é poder me realizar enquanto humana. E aí, você me acompanha nessa?