Moda, livros e rock 'n roll

Sobre a “futilidade da moda” e a academia. maio 15, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 12:54 am
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Comecei a gostar de moda ainda quando era muito novinha, foi todo um longo processo: ver muito desfile, experimentar muitas roupas e sair na rua como se fosse uma louca, ler muitas revistas. Eu, no terceiro “colegial”, estava certa de que iria prestar vestibular em alguma faculdade de moda.

Aí, olhando preços, acabei percebendo que não teria condição nenhuma de bancar a mensalidade de uma boa faculdade de moda e as públicas tinham provas que exigiam desenho e meu negócio, até então, tinha sido muito mais a produção do que a criação.

Acabei, meio que sem entender por quais motivos, decidindo prestar vestibular para outra coisa. Aí, na faculdade de psicologia, comecei a estudar alguns enlaces entre sociologia, psicologia, filosofia e moda.

Porém, tinha algo que sempre me pegava de uma forma absurda: não eram raras as pessoas que insistiam em me dizer que moda era algo fútil. Certa vez, em uma aula disse que estudava moda e a professora respondeu “Que bom! Um dia vou te ler na revista Capricho”. Outra vez, conversando com uma outra professora, comecei a falar do meu interesse em estudar moda e ela disse “Mas esse é um assunto muito fútil, não?”.

E foi aí que comecei a notar a resistência que as pessoas tinham em entender a moda como algo complexo, que envolvia discursos, a questão de gênero, a busca por ideais de beleza e de felicidade e outros diversos aspectos. Muitas pessoas que estão na academia acreditam que a moda não pode ser pensada nesse ambiente, aliás, que ela não pode nem ser pensada, já que é fútil, é de manual, é de disciplina e controle de corpos, deve continuar presa a algumas revistas que também são colocadas em lugar de futilidade.

E aí que, durante um bom tempo no meu curso, desencanei de estudar moda, fui procurar outras coisas que, é claro, compuseram muito bem para que eu começasse a complexificar a minha visão do que é moda, para que é moda, enfim… E quando voltei a estudá-la, estava lá, de novo, super encantada e percebendo que não tinha jeito, era isso que eu gostava, era isso que me movia, mais do que qualquer outra coisa. E foi então que na última semana comecei a procurar pós-graduações em moda e percebi que é bem mais grave do que eu gostaria que fosse. Temos umas três opções de mestrado em moda e algumas outras opções em especialização. E é aí que me pego pensando sobre como os ideais cientificistas e intelectualistas da academia só tem feito uma porção de coisas ficarem estagnadas. E é aí que me pergunto: até quando?

 

Fugindo do Óbvio. janeiro 27, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 3:54 am
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Comprei aquele livro bem bonitinho que chama “A Parisiense”. Ele é um guia de estilo, cheio de regrinhas, mas Ines, a autora, diz uma coisa várias vezes que acho que é a regra mais importante de um guia de estilo: a idéia que essas regras existem, mas que podem e devem ser quebradas.

Uma das partes mais legais desse livro é uma em que a autora cita 10 idéias para fugir do óbvio. Pensei, inicialmente, em fazer um post com fotos de inspiração dentro do que está no livro, mas olhando bem as dicas que estão no livro e pensando naquilo que faço cotidianamente para adicionar alguma diferença nos looks, a idéia fica basicamente em misturar roupas e materiais que são quase que impensáveis conjuntamente.

Isso porque, se a gente pára para pensar, acaba percebendo que sair do óbvio nada mais é do que ousar. E não adianta muito pensar que para ousar você precisa necessariamente fazer isso, isso ou aquilo, porque não dá para se arriscar com manuais para não errar. Acho que uma coisa é dar idéias de como sair do todo-dia-ela-faz-tudo-sempre-igual, mas ao se prender a essas possibilidades como se fossem manuais você não vai estar ousando. Entende? Só vai estar trabalhando com outro referencial do óbvio.

O que eu digo para você se quiser experimentar é escolher aquelas roupas que você tem e que nunca imaginou juntas, aquelas peças que são diferentes em conceito: o chique e o despojado, o tule e a camiseta, o jeans e a sandália arrumada, aquela sombra que você acha que só rola de usar à noite, a camiseta de banda e a saia longa de hippie. E aí você começa a pensar maneiras de usar isso de outras formas: é trabalhar com o não-costume.

Mas não pense que você vai começar sabendo tudo e sendo um arraso, por favor: esse seria um primeiro caminho para se decepcionar e achar que não tem talento para se vestir. Vovó já dizia que é errando que se aprende e, nesse caso, isso faz todo o sentido.

 

 

E nesses tempos de semanas de moda… janeiro 10, 2012

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 8:12 pm
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Costumo ficar muito ansiosa nessa época do ano. Acompanho semanas de moda porque enxergo nelas muito mais do que possíveis tendências: é nelas que posso experimentar um pouco da moda como arte.

Se não tenho tempo de acompanhar cada um dos desfiles, faço questão de procurar ao menos alguns daqueles que amo, que sei que vão me surpreender e me deixar um pouco mais feliz. Entre eles, estão o Alexandre Herchcovitch, a Gloria Coelho, a Neon, a Cavalera, a Triton, o Ronaldo Fraga e algumas outras. Essas eu nunca deixo faltar, porque são sempre incríveis para mim.

Do estilista :)

Já faz um tempo que parei de ouvir o que o cara x ou y acha do que foi apresentado. Antes eu achava bom quando o especialista falava. Hoje, acho bom quando o negócio consegue me pegar.

Acho triste quando as pessoas começam a olhar as semanas de moda somente como lançadoras de tendências. Por que, afinal, isso é tirar cada vez mais o caráter artístico da coisa, colocando a moda cada vez mais naquela gavetinha que as pessoas adoram dizer que a pertence: a da futilidade.

Enxergar a moda como fútil cabe aos seus olhos, somente a eles, mas eu sigo dizendo a frase que dizia quando ainda era uma criança: se moda é tão fútil assim, por que você não anda pelado? Te digo mais: até mesmo a sua postura de não pensar no que vestir, de comprar qualquer é uma posição política em relação à moda que já foi capturada pelo mercado.

Entendo, sim, que ao pegar a moda como “tendencinha”, como “regras de vestimenta”, ela pode se tornar um pouquinho pobre, mas veja bem: é sobre a maneira como você vai usar isso. Tendências, por exemplo, não são ruins, desde que você não faça um catálogo do que você deve usar no próximo inverno e saia comprando tudo loucamente. Elas podem servir como aquele gás criativo de que a gente precisa. Sabe a inspiração do artista? Então, é bem por aí.

Por isso, eu te convido a assistir os próximos desfiles, das próximas semanas de moda de um outro jeito. Pense em coisas que te inspiram: aquela música, aquele céu, aquela cor, aquele cheiro. Sabe o que passa em você nessas horas? Então, deixe que a moda te toque como arte. Deixe que, ao se vestir, durante cada dia da sua vida, você crie. Aquele momento é seu: Você é um artista. E a moda pode ser aquele pequeno gesto que faz da sua vida um pouco mais feliz.

(Um vídeo da Cris Guerra para inspirar)

 

Moda, livros e rock ‘n roll? julho 14, 2011

Filed under: Uncategorized — Mariana Watanabe @ 6:19 am
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Não é a primeira vez que ensaio escrever um blog sobre moda, já fiz um, desfiz e agora estou tentando começar mais um.

Mas, por que a insistência?

Porque acho que, apesar dessa enxurrada de blogs de moda que aconteceu nos últimos tempos, eu ainda tenho alguma coisa para mostrar a respeito disso, afinal, eu sinto que penso moda um pouquinho diferente do que a maioria das pessoas pensa.

Moda, para mim, nunca foi só essa coisa de “tendencinha” que muitos blogs abordam. Digo: Não tenho nada contra isso, acho sim que as tendências são importantes, mas acho muito triste quando elas passam a ser mais importantes do que construir uma coisa própria na moda. Acho que tendências são para casar com aquilo que é você, aquilo que te diferencia.

Penso moda assim: a forma como colocar todos os dias para o mundo que sou uma diferença.

E esse pensamento todo vem, é claro, permeado de muitas coisas que só consegui refletir graças à psicologia e à filosofia. E por isso dos livros.

Mas e o rock ‘n roll? Bom, foi com ele que comecei a gostar de moda, lá quando eu tinha meus 13, 14 anos e queria conseguir fazer minhas roupas para me vestir de mim mesma. Devo dizer que esse dia nunca aconteceu, mas que tenho toda uma influência do rock em como me visto e como me coloco diante da vida.

Pensar moda, livros e rock ‘n roll é hoje, para mim, pensar Mariana Watanabe. E é assim que tenho começar, novamente, essa jornada blogueira.